sábado, 26 de outubro de 2013

BI dos tenistas Portugueses : João Sousa

  O meu primeiro artigo neste blog vai incidir sobre um tenista português que neste ano de 2013 fez história no nosso ténis , ao ser o primeiro jogador luso a vencer um torneio ATP, categoria máxima do ténis masculino a nível mundial. Falamos, pois claro, de João Sousa .
  Nunca a expressão "Guerreiro do Minho" se aplicou tão bem, como quando este atleta se apresenta em campo. Uma atitude lutadora e plena de garra é a imagem de marca do melhor tenista português de sempre, que na próxima atualização do ranking surgirá no lugar número 46, algo que nunca tinha sido conquistado por nenhum português. Dotado de uma poderosa direita e de um serviço que causa bastantes dificuldades aos adversários, assenta o seu jogo na linha de fundo, embora não se iniba de subir variadas vezes à rede, onde se sente confortável. É orientado pelo técnico Frederico Marques, que abandonou prematuramente a carreira e agora acompanha o seu pupilo em todas as deslocações que este faz.
  Nascido no dia 30 de Março de 1989 na cidade de Guimarães , teve o seu primeiro contato com as raquetes aos 7 anos de idade , quando o seu pai o levou a treinar num clube local. A partir dessa altura, e tendo como principais referências Juan Carlos Ferrero, Pete Sampras e Roger Federer, o vimarenense começou a traçar o seu caminho de sucesso. Aos 15 anos João dá um passo de gigante no sentido de se tornar um tenista profissional . Com o consentimento e apoio dos pais, o tenista embarca rumo à cidade de Barcelona, para se integrar na academia Barcelona Total Tenis (BTT) , onde aperfeiçoou a sua técnica e percebeu que poderia de facto ser um jogador respeitado no circuito. No ano de 2005, então com 16 anos, inicia a sua carreira profissional , embora só tenha conseguido entrar no ranking ATP no ano de 2007, tendo a sua primeira vitória profissional ocorrido diante do Espanhol Miguel Olaso de la Roca , número 1021 na altura , pelos parciais de 6-4 e 6-2, no torneio Spain F17 disputado no mês de Maio.
  A partir desta altura irei destacar os momentos-chave da ainda curta carreira deste tenista, respetivamente : o seu primeiro título da categoria future, o seu primeiro título da categoria challenger, a entrada no top 100 e , por fim , a primeira vitória no circuito ATP.
   2009 revela-se um ano importante para João Sousa. Na sua carreira já tinha somado algumas conquistas importantes, como passar o qualifying em 2008 no Estoril Open, mas faltava um título para impulsionar a sua carreira. Novamente em Espanha (cidade de Tenerife), agora no mês de Junho, JS ergue pela primeira vez o troféu de campeão . É curioso notar que esta conquista se deu em relva sintética, superfície na qual João se sente menos à vontade . Andrea Falgheri foi o derrotado neste dia, ao perder por 7-6(2) 5-7 3-6.
  Durante o ano de 2011, após algumas conquistas em futures e a consequente aposta em torneios mais cotados, da categoria challenger, eis que surge o primeiro título challenger, na cidade Alemã de Furth. Esta vitória valeu-lhe a entrada no top 200 e mais um degrau escalado pelo português, que se revelou o carrasco do jogador da casa Jan Lennard Struff (vitória pelos parciais de 6-2 0-6 6-2) .
  No ano seguinte, JS ultrapassa mais um obstáculo importante na sua afirmação entre os melhores tenistas mundiais, isto é, a subida ao top 100 do ranking . O circuito challenger realizado na América do Sul nos últimos meses do ano ajudou à entrada inédita na elite do ténis mundial, que lhe valeu a entrada direta no Australian Open de 2013 , o primeiro Grand Slam em que ele não precisou de disputar a qualificação .
  Neste ano em que nos encontramos , o atleta luso quebra um estigma que vinha sendo associado aos nossos tenistas, que não eram capazes de lidar com a pressão de jogar regularmente em torneios ATP. Após atingir as meias-finais em São Petersburgo, ele consegue obter um Special Exempt (entrada no torneio da semana seguinte, de igual categoria, por lhe ser impossível disputar a qualificação. Isto é valido se o jogador atingir no mínimo as meias-finais de um dado torneio.) Tendo 2 opções ( Tailândia ou Malásia) , ele escolhe a segunda. Paolo Lorenzi, Sergiy Stakhovsky, David Ferrer (número 4 mundial) , Jurgen Melzer e Julien Benneteau . Todos eles caíram aos pés do nosso atleta, que levantou o troféu na emblemática cidade de Kuala Lumpur, tendo vencido na final frente ao francês, com parciais de 2-6 7-5 e 6-4, no dia 29 de Setembro. Conquista esta que quebrou mais uma barreira intransponível até então , a entrada no top 50 ( o melhor português até então era Rui Machado, número 59 no ano de 2011.)
  Por todos os fatores que eu enunciei aqui e mais alguns, o nosso guerreiro merece a estima de todos os portugueses, pois aos 24 anos já demonstrou que pode ombrear com os melhores do mundo, e alcançar resultados históricos. Esperemos que tanto o João como todos os outros atletas portugueses possam demonstrar todo o seu valor, para potenciar uma modalidade que por vezes em Portugal ainda é um pouco menosprezada e a qual não se dá muita atenção.

Foto tirada em frente ás Torres Petronas, monumento emblemático na Malásia

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